terça-feira, 12 de novembro de 2019

agradecer *



a luz bonita das minhas coisas simples.

(re)ler para nunca esquecer *

há dias que passam a uma velocidade galopante, que nos ultrapassam sem pedir licença ou desculpa. dias em que a vida acontece por cima dos nossos planos e troca-os todos. aprendemos, juntos, a agarrarmo-nos à única certeza que nos basta: de nos termos na vida um do outro, de nos entendermos e conhecermos tanto e tão bem, de nos agradecermos por sermos ombro, mão e colo na vida um do outro.
e então, nos dias em que a vida nos atropela, nos deixa de costas coladas ao chão, nos dias em que podíamos aproveitar a queda para fazer uma lista de coitados-de-nós, aprendemos a ficar quietos, a lado a lado, mão na mão, a olhar para o lado certo [e menos óbvio] de tudo o que nos acontece: há estrelas que só percebemos que existem quando perdemos o tecto.
*

p.s:


segunda-feira, 11 de novembro de 2019

querido outono *


sobre ''isto'' de ser feliz *

#1. largar/  desapegar |  para muitas ‘’coisas’’ da vida esta é uma fórmula que não falha: aceitar, agradecer e seguir. seja bom ou seja mau. custa, dói, passa. sei que nada é por acaso, e vai fazer sentido. e esta é uma forma de ver o mundo e de lidar com tudo o que acontece. eu escolho o filtro positivo. escolho retirar uma coisa boa de tudo o que me acontece. escolho, também, deixar para trás tudo o que me pesa no peito.

#2. reconhecer / cuidar | todos os que fazem magia na nossa vida. todos os que, verdadeiramente, cuidam de nós. todos os que nos tratam como merecemos, todos os que compreendem sem cobrar, todos os que dão sem mais esperar, todos os que aceitam, acolhem, abraçam, e que ficam apesar de todos os mas, de todos os ses. sempre. sempre. sempre.


#3. perdoar/curar  |   mágoas, desilusões, expectativas, dores de alma. aceitar que não vale a pena lutar pelo que não quer/pode/vai ficar. focar no que nos espera a seguir e que pode ser o melhor da vida toda. fazer todos os dias um bocadinho por esta paz interior. disciplinar o coração para só ver o melhor. parar para respirar e depois continuar a andar. olhar para a frente. mesmo sem ter as respostas todas. dando um valente voto de confiança à vida (e a nós).

foco no que importa *


domingo, 10 de novembro de 2019

sábado, 9 de novembro de 2019

parar e respirar *


reservo tempo para desconectar do mundo e conectar-me comigo mesma. faço coisas que gosto e que me trazem paz, mesmo que isso implique dizer que não a outras pessoas e a outros desafios. foco a minha atenção e a minha energia em coisas simples como ler um livro, descobrir músicas novas, andar descalça, inventar novas receitas de pão (e amassar pão, uma das melhores formas de trabalhar a minha relação comigo mesma), fazer listas de planos para ser (mais feliz), escolher uma alimentação à base de plantas – como uma salada maravilhosa de batata doce, pimentos, tomate, cebola roxa e polvo, temperada com um bom azeite e aromatizada com orégãos frescos – ir fazendo pequenas mudanças no meu mundo e no bocadinho do mundo que me rodeia, ouvir a voz do meu filho, sentir os abraços únicos do meu Pedro, dar graças por este vento bom que me empurra para a frente, mesmo que antes, esse mesmo vento, tenha chegado para me fazer parar, respirar fundo, recuperar fôlego e – só depois - avançar.

sábado *


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

em contagem decrescente *


resumo da semana *

acredito e pratico a melhor forma de olhar para a vida: sob o sol do optimismo. mas também sei que este modo «wishful thinking» sem uma acção planeadora, fazedora, concretizadora não passa de uma nuvem de bolas de sabão: linda, de fazer sonhar, mas não traz nada lá dentro. 
equilibrar a balança da geometria da felicidade é o que todos buscamos. mas mais do que querer é preciso fazer. e é então que chegamos àquele ponto da vida em que aceitamos que há estradas que temos de percorrer até ao fim, em que aprendemos a arrumar noutros lugares as urgências que podem esperar, em que sabemos que uma crítica não diz toda a verdade sobre nós, que um erro não nos define e que se falharmos o mundo não acaba.  
chegamos a um ponto da vida em que já não temos pressa de provar absolutamente nada a ninguém. a não ser a nós mesmos.

palavra preferida *


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

retrógado *


dormir menos. manter um sono vigilante. ver o sol nascer quase todos os dias. vestir roupa muito quentinha e sentir o conforto do Outono. ler e-mails acumulados, organizar a agenda e a cabeça. preparar café e pão de banana. alimentar-me do silêncio que me sabe a fotossíntese. sentir o Amor-de-A-grande nuns abraços pequeninos com uma força tão grande. olhar à minha volta e agradecer por (no meio de algum caos) estar tudo tão certo. trabalhar até mais tarde porque é preciso compensar os dias. levar vários encontrões. lembrar-me que também a vida é feita de encontros (e de encontrões). não mudar de lado ou de passeio. adaptar-me ao lugar onde estou para chegar ao lugar onde quero estar. ‘esquece isso do pé direito’, repito a mim mesma. há dias, semanas, meses e anos em que é preciso entrar com os dois pés. e com a lua a nosso favor. ( muda rápido, Mercúrio. )

lema de vida *


terça-feira, 5 de novembro de 2019

parar e respirar *


assim, simples *


são maiores os dias em que confirmamos em tudo o que nos acontece e em tudo aquilo que fazemos com o que nos acontece, o que uns chamam de coincidência, acaso, pura sorte e nós chamamos de universo a conspirar a nosso favor. são maiores os dias em que confirmamos que tudo nesta vida acontece por uma razão e tudo nos aproxima mais de quem somos e daquilo que queremos, mesmo muito, para sermos mais felizes. o resto é isso mesmo, o resto. e, na verdade, não importa nada. porque, em absoluto, somos o resultado das nossas escolhas e por muito que nos queiramos refugiar nas circunstâncias que nos rodeiam, o que somos vem sempre ao de cima. demore o tempo que demorar, não dá para fugir de nós mesmos. parar de ignorar certezas também nos aproxima desta regra simples:
- quando achamos que estamos mais longe de tudo, a vida mostra-nos que estamos cada vez mais perto de nós. do lado de dentro.

fôlego *


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

sobre tudo aquilo em que acredito *


''Os nossos hábitos e os nossos rituais têm qualquer coisa de sagrado. E são quase sempre ínfimos, quase insignificantes. Mas deliciosamente bons de cumprir. Um dos meus hábitos mais persistentes é muito simples: caminhar. Sempre pelo mesmo caminho. Saio de casa, desço a calçada até ao rio e sigo sempre junto à água. Uns bons quilómetros disso. Não o faço por ser saudável. Pelo menos, não no sentido imediato e canónico do termo. Quem me lê/conhece bem, sabe que não tenho a mínima paciência para a ditadura light. Essa conversa toda causa-me um tédio enorme e dá-me sempre vontade de comer mais uma fatia de bolo de chocolate ou de beber mais um copo de vinho. Além do mais, nunca achei piada a ditaduras. São sempre tão bem-intencionadas, tão a pensar no nosso bem, tão higiénicas. Gosto de comida boa sem consciência pesada. Bebo sempre vinho ao jantar. E não gosto de excessos. Nunca gostei. Em nada. Porque o excesso transforma o bom em mau. Por isso, não é por regime, nem tem uma utilidade. É porque me faz bem. Não é só uma coisa de corpo. Está para lá desse visível tangível. O que acontece é que a ideia de fazermos um caminho é um sinal da nossa determinação. Ir de um ponto ao outro. E regressar. Enquanto fazemos o caminho, vamos pensando nas coisas. Respiramo-las ao ritmo dos nossos passos. Não se tem a sensação de se estar quieto, inerte, passivo. À espera que o mundo aconteça. Ele está à nossa volta. Nós fazemos parte dele. E isso tem qualquer coisa de avassalador. Como se cada passo fosse um sentido por si só. E, apesar de não ser um caminhar deambulatório, dá para reparar tanto nas coisas.'' | mar queirós de araújo

está tudo aqui *