terça-feira, 25 de abril de 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

às vezes, dás passos atrás | mas é para ganhar balanço*

enquanto fazemos muitos planos, a vida acontece e troca-nos as voltas. diz-nos ‘’alto e pára tudo’’ e obriga-nos a uma saída forçada da roda onde corremos todos os dias. nesses dias, nem vale a pena lutar com ela. às vezes, eu – e metade do mundo - numa teimosia que quero disfarçar de persistência, finjo não ver o que está bem à minha frente, e mantenho um pé na roda. é óbvio que, não tendo os super-poderes da mulher elástica, acabo por me desequilibrar e por me estatelar no meio do chão.

‘’aceitar e confiar’’ – sussurra a vida. e eu, depois de cair e de dar cabo dos joelhos, dou-lhe razão. e então, deixo-me ficar no mais puro silêncio interior. dou-me dois dias para arrumar a casa de dentro. escrevo tudo o que vai cá dentro e prometo-me não voltar a esquecer que na vida real todos os caminhos são feitos de pedras e de flores. escolho – porque é assim que quero viver - dar mais importância às flores, mas não me posso permitir esquecer que são as pedras que mudam tudo dentro de nós. mesmo que quem nos veja de fora possa achar que continuamos iguais.

lema de vida*





domingo, 23 de abril de 2017

ao domingo a mãe faz ❥

acordei cedo, como todos os dias, mas hoje deixei-me ficar. espreguicei-me como um gato, respirei fundo como um monge, meditei dez minutos, agradeci o dia, li meia dúzia de páginas do meu livro novo, dei beijos em bochechas quentinhas, dise-te amo-te baixinho. andei descalça pela casa, senti o meu chão firme e seguro, repeti-me que tudo está certo, que tudo sempre fica certo, espreitei o sol na varanda, ouvi os passarinhos, mimei o meu Sal, tomei um duche demorado, cuidei da minha pele, olhei-me ao espelho, repeti a mim mesma a palavra mágica, pus música a tocar, rodopiei aos acordes de ''boat behind'', bebi água com limão, pus uma cafeteira de café fresco ao lume, preparei a mesa, as flores, o cesto do pão, a massa das panquecas e fiz papas de quinoa com framboesas. eles acordaram. dei e recebi abraços. disse obrigada à vida. 
*
papas de quinoa com mel e framboesas
1/2 chávena de quinoa
2 chávenas de água
½ chávena de bebida de arroz
1 colher de chá de açúcar mascavado
1 colher de chá de canela em pó
mel (a gosto)
1 mão cheia de framboesas frescas
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levar ao lume a quinoa e a água até ferver. reduzir o lume e cozinhar com o tachinho tapado durante 10/15 minutos (ou até a água estar absorvida). juntar a bebida de arroz, o açúcar, a canela. mexer bem e deixar cozinhar mais 5 minutos.
retirar do lume, deixar arrefecer um pouco e servir com o mel e as framboesas frescas.
(às vezes, junto uma boa colher de iogurte grego)

» créditos imagem | maggy daisy

resumo de domingo(s)


sábado, 22 de abril de 2017

lista para o fim-de-semana ❥


«No que me é dado a escolher, só recuso viver aquilo que sei que vai magoar-me na certa. Dantes, não me importava muito. Agora sim. O tempo e a vida vão-nos ensinando umas quantas coisas e fazem com que percebamos que não vale tudo e que o coração é um órgão muito importante, que não é só veias e artérias e cenas. O medo, a perda de ingenuidade, a recusa, nem sempre têm um efeito paralisante. Podem ser sinal de preservação, podem ser uma afirmação de que, lá está: não vale tudo.»


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outras sugestões:


» créditos imagem | delta breezes

sexta-feira, 21 de abril de 2017

desta semana*

o tempo todo que cabe numa semana. os dias todos que levam meses a digerir. as coisas misturadas e difusas que nos acontecem. e as outras.
às vezes, fica tudo fora do lugar. os dias sem açúcar, o peito sem ar.
confiamos – porque foi assim que aprendemos a sobreviver – que é a vida. como ela é. como ela só pode ser. e acreditamos – porque foi assim que aprendemos a sobreviver – que todas as dores têm uma razão para acontecer.
o tempo todo que cabe numa semana. os dias todos que levam meses a digerir. as coisas misturadas e difusas que nos acontecem. e as outras.
de permanente e firme fica (só) o que é do coração. de permanente e firme fica (só) a teimosia de manter as costas direitas, a cabeça erguida, o sorriso na cara, o lado esquerdo limpo, arrumado e arejado e a fé – sempre, sempre a fé – nas voltas que isto tudo dá. 
dizem que é na perda que aprendemos mais. e que é no fim de um ciclo que nos fortalecemos mais. às vezes, custa a acreditar. às vezes, custa a aceitar. mas nós, os que aprenderam a sobreviver, sabemos que a vida se faz do verbo confiar. em tudo (e sobretudo) o que não sabemos, não podemos, não aprendemos a explicar.

» créditos imagem | unsplash

espírito de sexta-feira*

começa o dia a cantar os parabéns-a-você. faz bolas de sabão e barcos de papel. joga ao quantos-queres com o colega do lado, e declara a sexta-feira como o dia nacional do jogo da macaca. vai à janela e grita bom dia alegria! escreve uma carta de amor a ti mesma e envia-a pelo correio. começa todas as frases com obrigada a mim. mostra a língua aos quadrados e aos chatos. ri por dentro e por fora. não uses filtros, usa batom vermelho. faz uma lista de coisas que tu (por causa dos outros) ‘’jamais’’ e cumpre-a toda num só dia. borrifa-te para tudo o que condiz. usa vermelho com verde e canta o hino só porque sim. não deixes que o amuo geral e o bocejo do mundo te contagiem. lembra-te que só existem três coisas contagiosas boas: o riso, o beijo, e o amo-te. 
às vezes, precisas de dar uns beliscões à pessoa-séria que vive dentro de ti e deixar que a sem-filtros tome conta do mural da tua vida.
arrisca o improvável e a vida vai-te mostrar que vale mais ser uma pessoa imperfeita (louca e feliz) que se assume como é, do que uma pessoa perfeita (muito séria e muito infeliz) que finge ser o que não é.